Arquivo para a categoria 'Escritos, caderninho de notas pós- trabalho: partindo 03/09/09'

19
mar
10

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Trabalhos de composição do músico F? Ri ( Felipe Ribeiro)+ composição de ” Como superar o grande cansaço?”.
A Baixo

como cansei da grande superação by ribeiro

20
fev
10

Um grande cansaço.
No tempo.
No ar.
Observo.
Danço.
Canso.
Movimento.
Movimento.
Deixo.
Observo.
- pretensão.
+ intenção.
Repetição.
Movimento.
Momento.
Seco.
Duro.
Rápido.
Chão.

Corpo.
Retorno.

20
fev
10

Orientação, acompanhamento,olhar, diálogo, incentivo e experiência de Key Sawao, meus agracimentos.

20
fev
10

Carna…

A semana de carnaval foi produtiva, não tinha como parar o corpo nessa semana, nesse estágio da pesquisa de quase apresentação, somente o movimento para resolver os problemas.
Nessa semana a Puc fechou, onde trabalho… graças minhas queridas amigas Isabela Santana e Andréia Guilhermina, pude trabalhar, dividindo o espaço com elas, a Isa estreiará seu trabalho solo um dia depois do meu. (projetoimanencias.wordpress.com).
Fizemos mostras de ambos os processos para nós mesmos, conversamos bastante sobre os trabalhos e foi muito produtiva essa troca.
Pude experimentar pela primeira vez, sair da minha toca e colocar o trabalho em outros espaços, nesses dias trabalhamos no Estudio Crisantempo, pude fazer no teatro, na sala, no tatame, linóleo, sem linóleo, em fim experimentação de adaptações espaciais.

Depois de um longo período de janeiro e começo de fevereiro me concentrando na composição musical juntamente com o músico , compositor e meu amigo F?, penso que estamos nos finalmente na música e volto a me concentrar totalmente no movimento, tempo e espaço.

A música é fundamental para o meu processo coreográfico, o diálogo, música, movimento e silêncio me motivam muito para desenvolvimento da criação. ( sempre quis trabalhar com um músico).

Como disse antes o momento agora é me ater 100% no movimento, a questão está nessa movimentação que aprofundei nesses seis meses na distribuição no espaço, essa distribuicão no espaço que é o grande lance agora.
Meu trabalho é a organização desse material no espaço em tempo real, a coreografia se estabelece na hora e a cada dia diferente, a cada dia danço o meu máximo do dia e é esse o trabalho.
Porém perebo que tenho a tendência de me viciar na ocupacão de determinadas zonas espaciais, sendo que o interessante é a ocupação do espaço como um todo, o cansaço está em todo o espaço e não em algumas zonas, não existe hierarquia espacial nesse trabalho, o espaço todo é importante.

Percebo que o interessante é quando está ocupação se constroe mais geométricamente do que circular,porém, caio bastante no circular que neste trabalho não é o mais coerente.

Hoje último dia dividindo com as meninas, dançamos livremente os nossos trabalhos sem pensar em questõesssss, a instrução foi dançar para nós mesmos mostrando…. fichas cairam, o ambiente se tranformou e rolou comunicação em ambos os trabalhos. tem dias que acontece, outros não, porque isso? o trabalho é esse tbm, perceber os porques das diferenças de cada dia, se observar, um trabalho que não tem fim, não chega a conclusões, constantes tentativas, hora bem sucessidas, hora mal sucessidas, hora mais ou menos e assim por diante…..
Tô curioso, ansioso, loco para perceber o como será no dia 10 diante do público? um passo importante para a pesquisa.

20
dez
09

Pequeno balanço da pesquisa até hoje.

Este trabalho começou no final do ano de 2008 , teve três pontos de partidas importantes, as aulas de Laboratório de Criação, as aulas de Filosofia, onde estudavamos Platão e Nietzche (ambas aulas dentro do curso Comunicação das artes do corpo -Puc) e minha rotina de trabalho, que na época, trabalhava pelo menos uma vez , duas por semana; nesta rotina foram aparecendo movimentos no chão em diálogo com uma música composta pelo músico Henrique Iwao.

No primeiro semestre de 2009 continuei com essa pesquisa ,conseguindo chegar a um pré- sentido e um pré-titulo, resolvi mandar para o Rumos dança Itaú Cultural essa nova etapa.

Agora nesse segundo semestre dentro do Rumos , vejo como está sendo importante poder me dedicar mais para o trabalho e descobrir um pouco mais como que se dá o meu processo de pesquisa.

Convidei Key Sawao para uma orientação, um acompanhamento do trabalho em estúdio e o músico Felipe Ribeiro para o diálogo músical.

Ando percebendo que meus trabalhos demandam processos longos no tempo, o trabalho é com calma; Até o corpo pegar, achar sentidos e executar com clareza, demora ( o tempo do corpo é lento, exige calma, persistência e escuta).

Meu caminho não é da representação e sim do exercício de a cada dia dançar o momento presente, seja o que for, e assim construindo sentidos, através da concentração na execução de movimentos que partem da sensação.

Com o tempo, vou percebendo o que tende a permanecer naturalmente de gestos e intenções, esses que me interessam.

Chamo minha primeira etapa dessa pesquisa de coleta de gestos, onde, danço livremente com a intenção do dia, e vou selecionando os gestos que permanecem e que me geram sentido ao executar e observar( através de gravações dos improvisos).

Ao me escrever no Rumos, já tinha achado um pequeno sentido no corpo, um ponto de partida, mas nada muito desenvolvido, necesitava de desenvolvimento e aprofundamento.

O rumos está servindo para o desenvolvimento e aprofundamento desse pequeno sentido.

Recomecei com a idéia de começar com essa intenção- sentido que construi no corpo, mas me livrar das formas já feitas, para abrir o leque de possibilidades; na prática vi que não tinha como me livrar dessas formas e sim aprofundá-las.

Vejo que foi uma boa estratégia, pois seis meses é muito pouco tempo para recomeçar tudo de novo.

Hoje me encontro na segunda fase da pesquisa, onde coletei muitos gestos, tenho uma coleção de gestos no meu corpo que me fazem sentidos e a cada dia organizo-os diferentemente, respeitando meu estado do dia presente e assim a dramaturgia vai se constituindo.

Sobre a orientação: Convidei Key Sawao( diretora junto com o Ricardo Iazzetta da KeyZetta e cia) para essa orientação, além de admirar o modo que ela trabalha, é uma pessoa que vem me acompanhando artisticamente desde o começo, observo um olhar refinado e aberto que não está para me dirigir e sim diálogar abertamente com o que estou fazendo. Nossas conversas me dão força para continuar e tarefas para os próximos ensaios.

Sobre a música, convidei o compositor e músico Felipe Ribeiro, chegamos em um primeiro teste músical, a partir desse primeiro teste, pretendo aprofundar nesta composição.

Sobre a dramaturgia que obeservo até aqui:

Diferente do meu trabalho anterior ( Entre Contenções) que possui uma dramaturgia com começo, desenvolvimento e fim ( conclusão), uma dramaturgia linear; Neste, a intenção dramáturgica até aqui é de não chegar em um final ( conclusão) e sim apenas em um estado corporal que começa, se desenvolve e permanece no desenvolvimento e não se resolve.

Sobre o Blog: O Blog vejo hoje em dia como um trabalho paralelo a pesquisa, importante para dar uma organizada nas idéias, mas não fundamental para o desenvolvimento da pesquisa e sim mais uma ferramenta; Comecei achando que ia usá-lo como diário, iria postar dia a dia do trabalho e no fim organizar tudo, percebi que é envialvel, ou me dedico na pesquisa ou me dedico na manutenção ferrada do blog.
Sobre algumas referências que postei no blog, são mais escritos e imagens que diálogam e me inspiram em relação a pesquisa.

Após esse final de ano, retomo com uma maior atenção para a dramaturgia e como apresentar esse material para o público em março.

Não irei me focar em organizar um espetáculo e sim me concentrar em como mostrar esse material, respeitando a ferro e fogo o sentido que construi ao longo do percurso de pesquisa.

Até agora a pergunta Como superar o grande cansaço? é o que me faz continuar a dançar e minha dança não é a resposta dessa pergunta.

26
nov
09

15/10/2009

No improviso meus braços se acabam.

Quero chegar nesse cansaço, como um oposto de um corpo cansado, uma luta no corpo no chão, como se essa luta fosse a causa do cansaço, a não entrega, o expurgo do cansaço.

Ao contrario do cansaço, o corpo potente, indo nos seus instintos, desesperos e alivios.

Bem ardua essa parada.

Percebo algumas células de movimentos que aparecem e continuam, umas por escolhas, outras não ,essas me fazem sentido após o fazer e assistir..

celula 1: movimento da perna que desde o começo aparece.

celula 2: balanço com o tronco, um corpo que não aguenta, mas continua porque está vivo.

celula 3: Espasmos com o cotovelo, queda ombro, queda cabeça e desistência.

Celula 4: o empurrar o chão , o corpo que quer sair do chão e desiste, sede.

celula 5 : Batidas com o braço no tronco, como se fosse um auto mutilamento, a dor.

Não quero cair no dramático, mas não tenho como fugir no momento.

Não quero dancar a toa, mas no momento não tenho como fugir, preciso dançar muito a toa, para conseguir chegar numa razão.

dançar por uma razão, ou sem nenhuma razão. escolhas…

26
nov
09

13/10/2009

Trabalhar sozinho é se enfrentar a cada dia, é descobrir como que funciono, é respeitar o que o corpo pede, nnao se culpar quando a vontade baixa, mas tbm não se entregar a preguiça.

É um jogo de saber tirar e colocar o próprio tapete.

Parece que tudo está por um fio, se minha vontade acabar ou cair no sem sentido, não há mais trabalho.

É complexo.

Todo ensaio como hj é revigorante, sempre saio melhor de quando entrei.

Vai ver é por isso que faço isso.

Hoje achei que não ia sair nada, dei uma entregada e durmi um tempo, nem fiz treino, acordei e comecei devagar.

Precisei testar os movimentos mais devagar, resolvi me concentrar no balanço do tronco e gestos no chão.

Deu vontade de subir os gestos e varias coisas interessantes apareceram.

Começo a usar a respiração, ela está aparecendo como no ultimo trabalho, não quero força-la, simplismente deixa-la aparecer naturalmente. A respiração tem que ser natural.

Acredito que tem coisas que agente não escolhe e nesse momento trabalhar sozinho acredito que não seja uma escolha e sim uma necessidade.

Essa dança, as vezes me dá uma vontade de chorar.

Uma vontade que não sai, fica dentro, vem a expressão no rosto, deixo a vontade.

Agora tudo é valido.

11
out
09

05/10/09

Terceira gravação a baixo, a primeira foi em novembro de 2008, a segunda para o edital do rumos em maio de 2009.

Nessa terceira vez que me vejo de fora, percebo um evolução…

Estou na tentativa de achar um estado corporal ” concreto”, se consigo chegar nisso, posso futuramente brincar com a composição sem me perder.

Percebo uma movimentacão do troco ( um balanço) que me interessa bastante.

Alguns movimentos de braços esticados ao chão, não me interessam acho meio formais e não conversam copm esse estado, são um pouco mecânicos- tentar dilui-los.

Dessa estrurura tenho varias duvidas:

Será que persigo a constancia rápida até o fim?
ou
vou construindo aos poucos, até chegar nessa constancia rápida?

a parede tenho dúvidas, mas é o atual ponto de partida, acabei no chão e do chão não passa! como se o começo da parede fosse a consequencia do movimento do chão, o ponto de partida que ao ver parece a consequencia de tudo o que rolou no chão.

A MUSICA do F?
A primeira construção musical que fiz com o ƒê, está longe de ser o que busco.

Busco um dialogo musical, pois me ajuda muito para a construção, me alimenta, me dá um certo impulso para me jogar, sem a míusica fica absurdamente arduo no momento.

Quero as batidas, mas não essas, quero uma batida menos eletrônica, mais terrestre.
Gosto muito da estacas de madeira!
o piano dá um climão de terror que não sei se interessa!!
o retrocesso das batidas, com essas batidas não rola.

Muitas Dúvidas……

11
out
09

29/09/2009

como superar o grande cansaço?

O cansaço como vontade de potência.

A vontade de potência é o próprio corpo em ação, a não entrega, o que gera, o devir, o vir a ser, o manifesto, a superação.

-O Cansaço- o motivo, a força contra, a angustia , a dificuldade de comunicação, o sistema , a injustiça , a dor, a dúvida , o não saber, a derrota, a não vontade, a quase loucura , o corpo no chão , a burrice humana.

Hj um ótimo treino, bem consciente e longo , é fundamental a preparação, meus braços estão mais leves e mais fortes.
O negocio é pesado.
pesado usar o corpo como um manifesto.
Uma derrota!!
dança como cura, comunicação.

Desliza, cansa , bate a cabeça e cai no chão
, do chão não passa é o limite do buraco.

11
out
09

28/10/2009

Um dia silencioso , uma ansiedade mansa.
ando percebendo a busca de uma qualidade especifica de movimento, um estado corporal. O que será esse grande cansaço em movimento?

Minha pesquisa está na minha pessoa, no meu corpo e não fora.
Parto de um depoimento desse momento.

Percebo um bloquinho corporal que quero seguir, a unica coisa palpavel que tenho.
A estrutura chega como consequencia, não me preocupar com ela, não querer busca-la e sim me preocupar com esse estado corporal que ando percebendo, ele o condutor.

Me altera muito esse material, saio tremulo.

Concentração!!

O corpo no chão!!
O desespero consciente se externalizando.
Doidera!

Quando acho que nada vai acontecer, acontece.
O caminho é mais complexo, um jogo racional e irracional.

Deixar o que me move fluir.




Eduardo Fukushima

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