Pré –título: Como superar o grande cansaço?
Este projeto apresenta uma nova etapa da pesquisa de linguagem em dança que venho desenvolvendo há dois anos.
Em “CANTO!” ( 2007) e “ ENTRE CONTENÇÕES ( 2008), minhas duas criações anteriores, percebo um caminho para minha pesquisa de criação.
Meu interesse está na pesquisa de linguagem corporal, busca de vocabulários próprios de movimento,onde,questões surgem através do corpo, do movimento, de depoimentos pessoais e a constante pergunta o que me move a dançar no momento?
Em minhas duas criações anteriores, concilio improvisação e coreografia em uma construção artesanal de intenções e gestos, traduzidas em partituras de movimentos. Não se trata de apenas improvisação, mas sim de desenvolvimento de partituras claras de movimentos em tempo real, sendo a coreografia um sistema aberto em relação aos gestos e movimentos que se desenvolve diferente a cada momento.
Percebo o Cansaço como uma questão no meu trabalho.
Parto do cansaço que percebo em cada um de nós face aos que vivemos e proponho as considerações de Nietzsche sobre o grande cansaço como ignição para essa pesquisa.
Na minha leitura de Nietzchie, o grande cansaço pode aparecer em 3 níveis: como niilismo total, niilismo passivo ou niilismo ativo. Uma não vontade de ação, uma negação e descrença total perante a vida, a não mais razão de acordar todo dia. No niilismo ativo se busca um sentido, se faz do cansaço vontade de potência. O grande cansaço como vontade de potência será o condutor do processo e a possível transformação dela mesma.
A pesquisa tem caráter teórico – prático e será desenvolvida basicamente dentro do ateliê, diariamente.
Pretendo contar com uma orientação de um ou dois artistas mais experientes, um músico para possíveis diálogos, gravações de todo o processo para compartilhar o percurso de criação e, por fim, a mostra desse material ao vivo.
Me interessa explorar o que tende a permanecer no ato de dançar diariamente, em termos de intenções, gestos e movimentos, deixando a composição se estabelecer ao longo do processo.
Há quatro anos pratico técnicas corporais orientais como Chi Kung , Seitai-ho, buscando um fortalecimento do centro do meu corpo, para fazer dessa região o ponto de partida do movimento, uso essas técnicas aliada a minha formação de bailarino para a pesquisa.
Não busco na minha atual pesquisa interfaces de vídeos, cenografia, objetos. O que quero investigar é o corpo como meio de comunicação na sua crueza.
Essa pesquisa está em andamento interno desde novembro de 2008.
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